AS PRIMEIRAS PROFECIAS (Lucas 2.21-39)

09/09/2012 19:00

Quando completou oito dias de nascido, como era o costume da época, Jesus foi circuncidado. Era nesse momento que o nome era dado à criança. Passados mais trinta e três dias, “cumprindo-se os dias da purificação”, José e Maria levaram Jesus ao templo a fim de ser apresentado ao Senhor. Ao dar a luz, a mulher ficava cerimonialmente impura e nessa condição não podia participar da adoração formal. No caso do nascimento de uma menina a mulher era considerada impura por oitenta dias.

1. Jesus, o Filho Primogênito

Na cultura judaica os primogênitos pertenciam a Deus e a Ele deviam ser consagrados (Êxodo 13.2). Todos os primogênitos eram consagrados a Deus, mas no caso das crianças, os pais apresentavam uma oferta em seu lugar. Era uma lembrança do que Deus havia feito no Egito, quando libertou seu povo. A derradeira praga (a morte dos primogênitos) não se abateu sobre as casas que estavam marcadas com o sangue do cordeiro.

A oferta oferecida por José e Maria mostra que eram pessoas simples. Não eram ricos (eles não ofereceram um cordeiro), nem pobres demais (eles podiam oferecer duas rolinhas ou dois pombinhos, a oferta oferecida pelos pobres). Os extremamente pobres ofereciam uma porção de farinha.

A oferta não funcionava como moeda de troca, ela não liberava os primogênitos do dever de viver uma vida consagrada a Deus. Jesus cumpriu muito bem esse papel e viveu uma vida consagrada a Deus. Sua apresentação no templo foi formalmente a apresentação ao serviço de Deus.

2. Jesus, o Messias

Simeão, que alguns estudiosos julgam ser um sacerdote, era um homem íntegro e piedoso. Ele desfrutava da presença e da orientação do Espírito Santo. Por isso foi conduzido ao templo naquele dia e reconheceu que Jesus era o Cristo, o Messias ungido e enviado por Deus. Outra característica é que Simeão esperava a consolação de Israel que se daria pelo cumprimento das promessas de Deus sobre o Messias. Essa era a expectativa do remanescente fiel que esperava o cumprimento de tais promessas justamente naqueles dias.

“Não lemos que a Simeão tivesse sido revelado qualquer coisa sobre Jesus, sobre as narrativas acerca de seu nascimento, sobre o milagre de sua concepção virginal ou sobre as visitações angelicais; não obstante reconheceu a identidade da criança.” (O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo -Volume 2, pág. 33).

Naquele dia coube a Simeão o privilégio de tomar Jesus em seus braços e fazer a oração de dedicação do menino ao serviço de Deus. Sua oração é mais uma revelação da universalidade da salvação, tema recorrente no Evangelho de Lucas, e da grandeza do Messias. A salvação a que Simeão se refere é Jesus, o agente da salvação, aquele que veio para revelar aos povos do mundo inteiro os propósitos de Deus para sua salvação.

A linguagem usada aqui é a que se usava para referir-se ao senhor de escravos dando liberdade a escravos e mostra que Simeão agora está tranquilo para descansar em paz, pois Deus lhe concedeu um privilégio tão grande que nada mais que visse na vida seria tão significativo!

No momento em que Jesus era apresentado, chegou Ana, uma profetisa, filha de Fanuel, fundador de uma escola de Profetas. Uma mulher viúva a quase oitenta e quatro anos, que decidiu não se casar novamente, para dedicar-se “a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia” (Lucas 2.37).

“O texto indica que Ana chegou no momento exato da apresentação, e então, mediante o espírito profético, não menos admirável do que no caso de Simeão, e acrescentando ainda maior motivo de admiração por parte de todos, ela começou a falar sobre a grandeza da criança que estava no meio deles, e passou a proclamar aos piedosos essas mesmas coisas. Ana deu prosseguimento ao tema, no ponto onde Simeão parara. Havia certo número de pessoas que aguardava a revelação do Messias, e foi nessa oportunidade, para essa gente que vivia em Jerusalém ou fora da cidade, que Ana propalou tais notícias.” (O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo -Volume 2, pág. 35).

3. Jesus, Um Divisor de Águas

Simeão antecipou que Jesus seria causa de “queda e elevação de muitos em Israel” (Lucas 2.34). Enquanto uns são irresistivelmente atraídos, outros O rejeitam. Eu não consigo imaginar a minha vida sem Jesus. Os que andam em sua companhia também estão sujeitos a quedas. Pedro caiu ao negar, mas se levantou ao se arrepender, ao passo que Judas Iscariotes, fingindo santidade, caiu e não mais se levantou.

Jesus veio para ser um divisor de águas. Seus ensinos, além de profundos, eram cheios de autoridade e provocavam reações. Uns aprenderam a confiar e o amaram intensamente. Outros só puderam odiá-lo. A confrontação com os próprios pecados, com a autojustificação e com a hipocrisia de seus atos, inclusive religiosos, foi para muitos um golpe, contragolpeado com a trama da sua morte.

Os pais a tudo assistiam admirados, mas sem espanto. Alguns escribas substituíram a palavra pai por José para que com o tempo ficasse prejudicada a questão histórica sobre o nascimento virginal. Maria é informada que uma espada traspassaria também a sua alma, antecipando que seria testemunha ocular da crucificação e dos sofrimentos de Jesus, “sofrimentos esses tão grandes que fizeram como que uma grande espada transpassar-lhe o coração e despedaçá-lo” (O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo -Volume 2, pág. 35).

José e Maria cumpriram todas as exigências da Lei, experimentaram sensações inimagináveis ao ouvir falar da grandeza de Jesus, o Messias, e retornaram para Nazaré. Não saíram dali em busca dos holofotes, como é próprio de muitas pessoas hoje, não se envaideceram, mas humildemente se recolheram à “insignificância” da pequena cidade de Nazaré. Aquelas realidades eles reservaram em seus corações.

Conclusão

O livramento da praga da morte dos primogênitos é um tema muito ressaltado na Bíblia, pois lembrava ao povo de Israel o valor do sangue do cordeiro nas casas para a manutenção da vida. Por meio do sangue de Jesus Deus oferece vida eterna a todos, mediante a fé. No Egito, não bastava ser israelita. Hoje, não basta ser religioso. É preciso que tenhamos fé na eficácia do sacrifício de Jesus. Tenha fé!

Muitos experimentam a alegria de sentir Jesus bem pertinho, mas acabam deixando-se seduzir por esse mundo, procurando prazeres que jamais encontrarão, pois nada é mais significativo e prazeroso que a presença de Jesus! Não se deixe seduzir.

O erro de muitas pessoas e igrejas é tentar repetir as experiências que outros tiveram com Deus. Nossas experiências com Deus devem ficar reservadas em nossos corações. Compartilhá-las deve ser um ato de testemunho, mas nunca uma incitação à sua repetição. Estimule as pessoas a terem um relacionamento com Deus. “Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.” (Salmo 34.8 / RC). Em outras palavras: “Procure descobrir, por você mesmo, como o Senhor Deus é bom. Feliz aquele que encontra segurança nele!” (Salmo 34.8 / NTLH).

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